Raphael LullisContratar é Obsoleto(O texto original se encontra no site do autor do texto, Paul Graham.) As três maiores potências da internet hoje em dia são o Yahoo, Google e Microsoft. Idade média dos fundadores: 24 anos. Fica bem claro, então, que estudantes de pós-graduação podem ter empresas bem sucedidas. E se os estudantes de pós-graduação podem, por que não os graduandos? Assim como tudo em tecnologia, o custo de se iniciar uma empresa caiu dramaticamente. É tão baixo que já se tornou imperceptível em comparação com outros custos. O maior custo de uma startup está em alimentação e aluguel. Isso significa que iniciar uma startup não custa mais do que ser um vagabundo total. Você pode, provavelmente, iniciar a empresa com 10 mil dólares de capital inicial, contanto que esteja disposto a viver de Nissin Miojo. Quanto menos você precisa de dinheiro para iniciar uma empresa, menos você precisa pedir permissão aos investidores. Isso significa que muitas pessoas agora serão capazes de organizar suas empresas, quando antes não tinham condições. O subconjunto mais interessante dessas pessoas está com 20 e poucos anos. Eu não me entusiasmo com os fundadores que têm tudo, menos inteligência. Ou tudo, menos energia. O grupo mais promissor são aqueles liberados por esse limiar, mais novo e mais baixo, que possuem tudo que os investidores querem exceto experiência. Valor de MercadoUma vez eu disse que os nerds não eram populares no colegial pela simples razão de terem coisas mais importantes a fazer do que ficar trabalhando em período integral em sua popularidade. Alguns disseram que eu apenas estava dizendo às pessoas o que elas queriam ouvir. Bem, eu vou fazer isso de forma espetacular: undergrads are undervalued (graduandos são subestimados). Mais precisamente, eu acredito que poucos percebem a grande variação no valor dos jovens de 20 anos. Alguns, claro, não são tão capazes. Mas outros são mais capazes que um bando de trintões. [1] Até hoje o problema é que era difícil fazer a seleção. Qualquer VC no mundo tentaria investir na Microsoft, se pudesse voltar no tempo. Mas qual teria feito isso naquela época? Quantos entenderiam que aquele jovem de 19 anos de idade em particular era Bill Gates? É difícil avaliar os jovens, pois (a) eles mudam rapidamente, (b) há muita variação entre eles, e (c) eles são individualmente inconsistentes. A última parte é um sério problema. Quando se é jovem, você diz coisas estúpidas mesmo quando é esperto. Assim, se o objetivo é filtrar aqueles que dizem coisas estúpidas, como fazem muitos investidores e empregadores, você vai acabar ficando com muitos falsos positivos. A maior parte das organizações que contratam pessoas diretamente da faculdade só está ciente do valor médio dos jovens com 22 anos de idade, e isso não é muito. E então a idéia por boa parte do século XX era que todos tinham que começar o trabalho como trainee em algum cargo baixo na hierarquia. As organizações perceberam que havia muita variação nesse fluxo de entrada, mas ao invés de tentar entender o fenômeno, elas tentavam atenuá-lo, acreditando que seria bom até para os mais jovens talentos que começassem por baixo, para que não tivessem o ego inflado. Os jovens mais produtivos sempre serão subestimados em grandes organizações, já que os jovens não possuem um histórico de performance que pode ser avaliada, e qualquer erro ao tentar estimá-lo tenderá para a média. O que um jovem de 22 anos especialmente produtivo deve fazer? Uma coisa que podem fazer é ir “diretamente para as cabeças” nas organizações, diretamente para os usuários. Qualquer empresa que te contrata é, economicamente, um intermediário entre você e o cliente. O valor que te dão é (embora não se dêem conta disso conscientemente) uma tentativa de estimar seu valor para o usuário. Entretanto, há uma maneira de contestar esse valor que lhe é atribuído. Se você quiser, você pode optar por ser avaliado diretamente pelos usuários, começando a sua própria empresa. O mercado é muito mais criterioso do que qualquer empregador. E completamente não-discriminatório. Na internet, ninguém sabe que você é um durango. E, mais importante, ninguém sabe que você tem apenas 22 anos de idade. Tudo que eles se importam e querem saber é se o seu site ou software dá a eles o que eles querem. Eles não se importam se a pessoa que está comandando tudo por trás disso é um garoto que ainda está na escola. Se você for realmente produtivo, por que não fazer com que os empregadores paguem seu valor de mercado a você? Por que ir trabalhar como um empregado ordinário de uma grande empresa, quando você pode iniciar a sua empresa e fazer com que eles tenham que comprar a empresa pra ficar com você? Quando as pessoas pensam em “startup”, elas pensam nas que ficaram famosas e se tornaram públicas. Mas a maior parte das startups bem-sucedidas o fizeram ao ser adquiridas. E geralmente o comprador não quer apenas a tecnologia desenvolvida, ele quer as pessoas que a criaram também. Muitas vezes, grandes empresas compram startups antes mesmo que elas se tornem lucrativas. Obviamente nesse caso, eles não estão atrás do lucro. O que eles querem é a equipe de desenvolvimento e o software que foi produzido até o momento. Quando uma empresa é comprada por 2 ou 3 milhões tendo apenas 6 meses de existência, a compra é muito mais um bônus de contratação do que uma aquisição. Acredito que esse tipo de coisa vai acontecer mais e mais, e que será melhor para todos. Será obviamente melhor para as pessoas que iniciaram a startup, já que eles recebem uma boa soma logo de cara. Mas eu acredito que será melhor para os compradores também. O problema central em grandes empresas, e a grande razão pela qual elas são menos produtivas que as pequenas, é a dificuldade de avaliar o trabalho de cada pessoa. Comprar empresas em estágio larval resolve esse problema. O comprador não paga a ninguém enquanto os desenvolvedores não mostram sua capacidade. Eles ficam protegidos das perdas, e ainda ficam com boa parte do lado positivo. Desenvolvimento de ProdutoComprar startups também resolve um outro problema que aflige as grandes empresas: elas não sabem fazer desenvolvimento de produto. Elas são ótimas para extrair valor de produtos existentes, mas péssimas na criação de novos. Por quê? É importante avaliar esse fenômeno com detalhe, já que essa é a raison d'etre das startups. Pra começo de conversa, a maior parte das grandes empresas têm algo a proteger, e isso tende a afetar suas decisões de desenvolvimento. Por exemplo, aplicações web estão badaladas hoje. Mas dentro da Microsoft deve haver muita ambivalência a respeito, já que o ponto central da idéia de aplicações web ameaça o desktop. Assim, qualquer aplicação web que a Microsoft possui vai acabar sendo (como o Hotmail) algo desenvolvido fora da empresa. Outra razão que grandes empresas são ruins no desenvolvimento de novos produtos é que o tipo de pessoa que faz esse tipo de coisa não possui muito poder dentro da empresa (a não ser que eles sejam, por acaso, o CEO). Tecnologias revolucionárias e desruptivas são desenvolvidas por pessoas revolucionárias e desruptivas. E essas ou não trabalham em grandes empresas, ou foram anuladas pelos puxa-sacos e os obedientes cegos, e possuem comparativamente pouca influência. Grandes empresas também perdem já que produzem apenas uma coisa de cada tipo. Se você possui apenas um browser Web, você não pode fazer nada muito arriscado com ele. Por outro lado, se 10 empresas diferentes projetam 10 diferentes browsers e você escolhe o melhor, provavelmente você fica com algo melhor. A versão mais geral desse problema é que há muitas idéias novas, e as empresas não conseguem explorar todas. Há, provavelmente, umas 500 empresas hoje que estão desenvolvendo algo que elas acreditam que a MS venha a comprar. Mas nem mesmo a Microsoft pode gerenciar 500 projetos desenvolvidos in-house. As grandes empresas também não pagam as pessoas corretamente. As pessoas que estão desenvolvendo um produto em uma grande empresa recebem seu salário igualmente, com o produto sendo bem-sucedido ou não. Pessoas que trabalham em uma startup sabem que vão ficar ricas se o produto for bem sucedido, e nada se ele falhar [2]. Logo, é natural pessoas em uma startup trabalharem muito mais. O próprio tamanho das grandes empresas é um obstáculo. Em startups, os desenvolvedores lidam diretamente com os usuários, queiram ou não, já que não há quem faça a parte de vendas ou suporte. É doloroso ter que trabalhar em vendas, mas você aprende muito mais ao tentar vender algo às pessoas do que lendo o que elas disseram em pesquisas com grupos-alvo. E claro, grandes empresas são ruins em desenvolvimento por que elas são ruins em todo o resto. Tudo acontece de forma mais devagar em grandes empresas, e desenvolvimento de produto é algo que tem que ser rápido, uma vez que você só conseguirá algo realmente bom depois de várias iterações. TendênciaEu acho que a tendência nas grandes empresas de comprar as startups vai apenas acelerar. Um dos maiores obstáculos restantes é o orgulho. A maior parte das empresas, ao menos inconscientemente, acreditam que deveriam ser capazes de desenvolver seus projetos in-house, e que comprar uma startup é uma admissão do seu fracasso. E assim, da mesmo jeito que as empresas fazem com admissões de fracasso, elas postergam o máximo possível. E isso torna a aquisição muito cara quando ela finalmente ocorre. O que as empresas devem fazer é sair por aí e descobrir as startups quando ainda são jovens, antes que os VC’s tenham inflado elas em algo que custe centenas de milhões para adquirir. E muito do que os VC’s adicionam, o comprador não precisa de qualquer forma. Por que os compradores não tentam predizer quais empresas eles terão que comprar por centenas de milhões, e as pegam mais cedo por um décimo ou 1/20 disso? É pelo fato de não conseguir predizer os vencedores antecipadamente? Se só tem que pagar 1/20 do valor do vencedor, eles só tem que acertar em 1/20 das vezes. E isso é seguramente algo que eles podem fazer. Acredito que as empresas que compram tecnologia vão gradualmente aprender a ir atrás das startups em estágio inicial. E não vão necessariamente comprar logo de cara. A solução pode ser um híbrido de investimento e aquisição: por exemplo, comprar uma parte da empresa e ficar com a opção de comprar o resto mais tarde. Quando as empresas compram startups elas estão, na prática, juntando a parte de recrutamento e desenvolvimento de produto. E isso é mais eficiente do que fazê-los separadamente, já que você sempre fica com as pessoas que estão realmente comprometidas com aquilo em que estão trabalhando. E esse método, além do mais, produz equipes de desenvolvimento com pessoas que já trabalham bem em conjunto. Qualquer conflito entre eles tem que ser passado a limpo pelo ferro quente que é a condução de uma startup. No instante em que o comprador vai atrás deles, eles sabem completar as frases um do outro. Isso é muito importante em software, uma vez que muito dos bugs surgem nas fronteiras de comunicação entre os programas de pessoas diferentes. InvestidoresA queda contínua do custo de iniciar uma empresa não dá aos hackers apenas maior poder frente aos empregadores. Também o faz frente aos investidores. O senso comum entre VC's é que hackers não deveriam conduzir suas próprias empresas. Os fundadores deveriam aceitar MBA's como seus chefes, e ter um cargos equivalente a Diretor de Tecnologia. Pode ser que em alguns casos essa seja uma boa idéia. Mas acredito que os fundadores serão cada vez mais capazes de ficar com o controle, já que não precisam mais do dinheiro dos investidores tão desesperadamente quanto antes. Startups são um fenômeno relativamente novo. A Fairchild Semiconductor é considerada a primeira startup financiada por VC, e eles foram fundados em 1959, menos de 50 anos atrás. Se medirmos em termos da escala de tempo de mudanças sociais, o que temos ainda é pré-beta. Então, não devemos assumir que a forma que as startups funcionam hoje deve ser a maneira que eles devem funcionar. Fairchild precisou de muito dinheiro para poder começar. Tiveram que realmente construir as fábricas. E como vai ser utilizado o primeiro round de investimentos recebidos por fundos de venture capital, em uma empresa baseada em algo pra Web? Dinheiro a mais não fará com que o software seja desenvolvido mais rapidamente; não há necessidade de se gastar com infra-estrutura física, e o resto hoje em dia é muito barato. Tudo que o dinheiro realmente pode ajudar é em vendas e marketing. Uma equipe de vendas vale algo, eu admito. Mas o marketing é cada vez mais irrelevante. Na internet, qualquer coisa genuinamente boa se espalha por propaganda boca-a-boca. O poder dos investidores vem do dinheiro. Quando as startups precisam de menos dinheiro, os investidores possuem menos poder sobre eles. Isso significa que os fundadores do futuro talvez não tenham que aceitar novos CEOs, se não os quiserem. Os VC's terão que ser arrastados berrando aos trancos por essa estrada, mas como muitas coisas em que as pessoas tem que fazer aos trancos e aos berros, pode até ser que seja bom pra eles. Google é um sinal do caminho que está sendo tomado. Como condição de investimento, os investidores insistiram que eles contratassem alguém mais experiente como CEO. Mas pelo que ouvi os fundadores não aceitaram simplesmente qualquer um que os VCs queriam. Eles postergaram por um ano todo, e quando finalmente aceitaram um CEO, foi alguém que tinha um PHD em Ciência da Computação. Parece-me que os fundadores do Google ainda trabalham como as pessoas com mais poder dentro da empresa, e ao julgar pela performance da empresa, sua juventude e inexperiência não parece que os prejudicou. De fato, suspeito que o Google se deu melhor assim do que se eles tivessem dado aos investidores os que eles queriam, quando queriam, e deixar um MBA qualquer tomar controle assim que tivessem o primeiro round de investimento. Não estou dizendo que os executivos típicos colocados pelos VCs não possuem valor. Mas eles não precisam se tornar os chefes dos fundadores, que é o que significa o título de CEO. Creio que os o futuro dos executives colocados pelos VCs será o de COO, ao invés de CEO. Os fundadores ficarão com a parte de engenheria e projeto totalmente, e a parte operacional da empresa será tocada através do COO. A Gaiola AbertaTanto com empregadores quanto investidores, a balança do poder está lentamente pendendo favoravelmente para os mais jovens. E mesmo assim, parece que eles são os últimos a perceber isso. Apenas os estudantes mais ambiciosos consideram montar sua própria startup quando se formarem. A maior parte apenas quer um emprego. Talvez esse é o jeito que tem que ser. Talvez, se a idéia de iniciar uma empresa for intimidante, são filtrados os que não se comprometem. Mas ainda acho que o filtro está com o limiar um tanto elevado. Há pessoas que, se tentassem, começariam empresas sucedidamente, mas que ao invés disso se deixam levar pelos tubos de sucção das grandes empresas. Já notou que quando os animais são liberados de suas gaiolas, eles nem sempre percebem imediatamente que a porta está aberta? Frequentemente alguém tem que cutucá-los para que eles se mexam em direção à porta. Algo similar aconteceu com o fenômeno dos blogs. As pessoas já podiam publicar material online em 1995, e mesmo assim só nos últimos anos que o blogging decolou. Em 1995 nós pensávamos que apenas os escritores profissionais estavam aptos a escrever suas idéias, e qualquer outro que fizesse isso era um lunático. Agora, ter um blog é tão popular que todos querem, até mesmo profissionais de mídia impressa. Mas isso não se deve por inovação tecnológica, e sim por ter levado oito anos para que as pessoas percebessem que a gaiola estava aberta. Eu acredito que muitos dos graduandos não perceberam que a gaiola econômica está aberta. Muito foi dito por seus pais que o caminho para o sucesso é conseguir um bom emprego, mas isso não é tão verdadeiro agora. A rota para o sucesso é construir algo inestimável, e você não precisa mais trabalhar para uma empresa para fazer isso. Na verdade, você fará isso melhor se não estiver. Quando converso com graduandos, o que me surpreende é o quão conservadores eles são. Não politicamente, claro. Quero dizer em relação ao fato de não quererem correr riscos. Isso é um erro, pois quanto mais jovem você é, mais risco você pode correr. RiscoRisco e recompensa são sempre proporcionais. Por exemplo, ações são mais arriscadas do que títulos do governo, e ao longo do tempo possuem maiores taxas de retorno. Então, por que as pessoas investem em títulos? A pegadinha está no termo “ao longo do tempo”. Ações podem ter mais retorno em 30 anos, mas podem perder valor de um ano para outro. Logo, seus investimentos dependem do tempo que você vai lever pra precisar do dinheiro. Se você é jovem, você deve fazer os investimentos mais arriscados que você encontrar. Toda essa conversa pode parecer muito teórica. A maior parte dos graduandos possui mais dívidas do que ativos, de qualquer forma. E acabam acreditando que não possuem nada para investir. Mas isso não é verdade: eles têm seu tempo para investir, e a mesma regra sobre risco se aplica aqui. Seus vinte-e-poucos é justamente a época em que você deve tomar os riscos de carreira mais absurdos. A razão pelo risco ser sempre proporcional a recompensa é que o mercado age para que seja assim. As pessoas pagam a mais para ter estabilidade. Então, se você escolhe estabilidade – comprando títulos do governo, ou indo trabalhar em uma grande empresa – isso vai te custar. Escolhas arriscadas de carreira pagam melhor em média, já que é menor demanda por elas. Escolhas extremas como ter sua própria startup são tão assustadoras que a maior parte das pessoas nem chegam a tentar. Dessa forma você acaba não tendo tanta competição quanto esperaria, considerando os prêmios que estão em jogo. A matemática da coisa é brutal. Enquanto talvez 9 de 10 startups falham, a que sucede paga aos fundadores mais do que 10 vezes o que eles teriam ganho em um emprego comum. [3] É nesse sentido que temos que as startups pagam mais “em média”. Lembre-se disso. Se você começar sua startup, você provavelmente vai falhar. Quase todas falham. Mas essa é a natureza dos negócios. Mas não é necessariamente um erro tentar algo que tem 90% de chance de falhar, se você pode bancar isso. Falhar aos 40, quando você tem uma família pra cuidar, pode ser grave. Mas se você falha aos 22, e daí? Se você abrir uma empresa aos 22 e ela afunda, você está quebrado aos 23 anos de idade e um tanto mais esperto. Na prática, é mais ou menos o que se espera de um programa de pós-graduação. Mesmo que sua startup afunde, não vai prejudicar sua imagem frente aos empregadores. Só pra ter certeza, eu perguntei a alguns amigos que trabalham em grandes empresas. Perguntei a gerentes do Yahoo, Google, Amazon, Cisco e Microsoft como eles se sentiriam em respeito a dois candidatos, ambos com 24 anos de idade, com igual capacidade; um com uma startup que fracassou e outro com experiência como desenvolvedor de dois anos em uma grande empresa. Todos responderam que prefeririam o cara com a experiência de ter sua própria empresa. Zod Nazem, que está encarregado da parte de engenharia do Yahoo, disse:
Então, aí está. Quer ser contratado pelo Yahoo? Monte sua própria empresa. “The Man is the Customer”Se até mesmo os grandes empregadores pensam bem de jovens hackers que começam suas empresas, por que não há mais gente fazendo isso? Por que os graduandos são tão conservadores? Creio que seja por terem passado tanto tempo em instituições. Os primeiros vinte anos na vida de qualquer um consiste em ser jogado de uma instituição para outra. Você provavelmente não teve muita escolha nas escolas primárias que você freqüentou. E depois da escola, era esperado de você que fosse para a faculdade. Talvez você tenha tido algumas universidades para escolher, mas elas eram bem similares. Então, até esse instante você está andando numa linha de metrô por 20 anos; e sua próxima parada é um emprego, aparentemente. Na verdade, a universidade é onde a linha acaba. Superficialmente, ir trabalhar para uma empresa pode parecer como a próxima em uma série de instituições. Mas no fundo, tudo é diferente. O fim da escola é o ponto onde você tem que deixar de ser um consumidor para se tornar produtor, em em relação de seu saldo de atividade econômica. A outra grande mudança é que, agora, é você quem está no volante. Pode ser então que valha a pena parar um pouco e entender o que se passa, ao invés de seguir o comportamento comum. Por toda a faculdade, e provavelmente bem antes disso, a maior parte dos graduandos passou tempo pensando sobre aquilo que os empregadores desejam. Mas o que realmente importa é aquilo que os clientes desejam, pois eles são os que dão o dinheiro aos seus empregadores que será o dinheiro que é pago a você. Então, ao invés de pensar naquilo que os empregadores querem, é melhor que você pense diretamente naquilo que os usuários querem. Enquanto houver uma diferença entre os dois, você pode usar a seu favor na empresa que for iniciar. Por exemplo, grandes empresas gostam de pessoas conformistas, dóceis. Mas isso é meramente um artefato de sua grandeza, não algo que os clientes desejam. Pós-GraduaçãoEu não percebi conscientemente tudo isso quando estava me formando na faculdade, em parte porque passei direto para minha pós-graduação. Pós-graduação pode ser um bom negócio, mesmo se você planeja começar sua própria startup. Você pode começar uma quando acabar a pós, ou ainda dar a partida no negócio durante o curso, como os fundadores do Yahoo e do Google. Pós-graduações podem ser uma boa plataforma de lançamento para startups, pois você já juntou um bando de gente inteligente e você tem mais tempo livre para trabalhar em seus próprios projetos do qualquer outro empregador lhe daria. Contanto que você tenha um orientador razoavelmente tolerante, você pode ter tempo para desenvolver sua idéia antes de torná-la em uma empresa. David Filo e Jerry Yang começaram com o diretório do Yahoo em fevereiro de 1994 e já tinham um milhão de hits por dia até a metade do segundo semestre do mesmo ano, mas só largaram a universidade pra valer em março de 1995. Você também pode tentar a startup primeiro, e se não der certo, aí partir para a pós. Quando as startups quebram, elas o fazem rapidamente. Em um ano você descobrirá se estava perdendo seu tempo. Isso é, se falhar. Se suceder, você vai ter que postergar sua pós por um pouco mais de tempo. Mas você vai ter uma vida muito mais agradável do que se tivesse que viver com uma bolsa de mestrado comum. ExperiênciaOutra razão para que pessoas com pouco mais de 20 anos não começaram suas startups é que eles acreditam que não possuem muita experiência. Muitos investidores acreditam o mesmo. Eu me recordo de ter ouvido muito a palavra “experiência” nos meus tempos de faculdade. O que será que as pessoas realmente querem dizer com isso? Obviamente não é a experiência em si que é importante, mas algo que ela deve fazer que altere sua mente. O que muda na sua cabeça depois que você tem experiência, e o que você pode fazer pra que essa mudança ocorra mais rapidamente? Agora que tenho alguns dados sobre isso, posso dizer o que costuma faltar quando as pessoas não tem experiência. Eu já disse que toda startup precisa de três de coisas: começar com gente boa, fazer coisas que os usuários querem, e não gastar muito dinheiro. É a do meio que as pessoas inexperientes nem sempre possuem. Há toneladas de graduandos com capacidade técnica para escrever software de qualidade, e graduandos são razoavelmente bons em não desperdiçar dinheiro. Se há algo que eles erram, é que eles não percebem que não estão fazendo algo que as outras pessoas queiram. Isso não é uma falha exclusiva dos jovens. É comum fundadores de todas as idades construírem algo que ninguém quer. Felizmente, essa falha pode ser fácil de ser eliminada. Se todos os estudantes fossem péssimos programadores, o problema seria pior. Pode-se levar anos pra se aprender a programar, mas não acredito que se leve tanto tempo para aprender como fazer algo que as pessoas queiram. Minha hipótese é que tudo que você precisa é dar um tapa na cabeça dos hackers e dizer a eles: "Acorde! Não fique aí sentado fazendo teorias a priori sobre o que os usuários querem. Vá atrás dos usuários e veja o que eles querem." A maior parte das startups não só fazem algo realmente específico, mas resolvem um problema que as pessoas sabem que possuem. A grande mudança que a “experiência” causa na cabeça de alguém é aprender que você tem que resolver o problema das pessoas. Uma vez que você entende isso, você avança rapidamente para a próxima etapa, que é descobrir quais são esses problemas. E isso leva algum trabalho, pois a maneira que o software é usado (especialmente pelas pessoas que pagam mais por ele) não tem muito a ver com a maneira que você esperava. Por exemplo, o propósito oferecido pelo Powerpoint é permitir que elas apresentem idéias. Sua função real é ajudar as pessoas a superarem o medo de falar em público. Ele permite que você faça uma apresentação impressionante sobre absolutamente nada, e faz com que sua audiência fique sentada em um quarto escuro olhando para slides, ao invés de um quarto iluminado focado no apresentador. Esse tipo de coisa está aí pra todo mundo ver. A chave é saber procurar por isso, perceber que ter uma idéia para uma empresa não é o mesmo que ter uma idéia para um trabalho de escola. O objetivo de uma startup não é fazer um software bacana. É fazer algo que as pessoas desejam. E para fazer isso você deve olhar para os usuários. Esqueça a parte técnica, e olhe para os usuários. Pode ser um tremendo ajuste mental, até mesmo porque o software que você escreveu na faculdade sequer tinha usuários. Poucos passos antes de se solucionar um cubo de Rubik, ele ainda parece uma zona. Parece-me que as cabeças dos graduandos está em uma posição similar. Eles estão a poucos passos de estabelecer uma startup bem sucedida, se assim quiserem, mas ainda não se deram conta disso. Eles tem mais do que capacidade técnica. Eles só ainda não perceberam que o melhor meio para se produzir riquezas é produzindo algo que os usuários querem, e que seus empregadores são apenas mediadores para os usuários e que com isso, o risco é diluído. Se você é jovem e esperto, você não precisa de nada disso. Você não precisa de ninguém pra lhe dizer o que é que as pessoas querem, porque você pode descobrir por conta própria. E você não quer diluir o risco, já que você deve correr mais risco quanto mais jovem você for. Uma Mensagem de Utilidade PúblicaEu quero concluir com uma mensagem minha e dos seus pais. Não saia da faculdade para iniciar a sua empresa. Não há pressa. Haverá muito tempo para ter suas empresas depois que se formar. Na verdade, pode ser igualmente bom trabalhar para uma empresa por um tempo depois que se formar, para aprender como elas funcionam. E mesmo assim, quando penso nisso, não consigo me imaginar dizendo ao Bill Gates, com 19 anos de idade, que ele deveria esperar se formar para começar sua empresa. Ele teria me dito para sumir da frente dele. E será que eu poderia honestamente ter dito que ele estaria prejudicando seu futuro, se ele estivesse aprendendo menos ao trabalhar no epicentro da revolução dos microcomputadores do que se estivesse ainda tenho aulas em Harvard? Não, provavelmente não. E sim, enquanto há coisas realmente valiosas que você irá aprender trabalhando para uma empresa existente antes de começar a sua, você também aprenderia uma coisa ou outra tendo a sua empresa no mesmo período. O conselho sobre trabalhar para os outros teria uma recepção ainda mais fria do Bill Gates de 19 anos. “Então, você acha que eu devo acabar a faculdade, aí trabalhar para outra empresa por dois anos, para aí então começar a minha?? Tenho que esperar até os 23? Isso são 4 anos. Isso é mais do que 20 por cento da minha vida até agora. Além do mais, em 4 anos já sera muito tarde para querer ganhar algum dinheiro escrevendo um interpretador Basic para o Altair". E ele estaria certo. O Apple II foi lançado apenas dois anos depois. Na verdade, se Bill tivesse terminado a faculdade e ido trabalhar em uma empresa como estamos sugerindo, ele poderia muito bem ter ido parar na Apple. E enquanto isso provavelmente seria melhor para todos nós, não teria sido melhor para ele. Então, enquanto eu continuo com o conselho responsável de terminar a faculdade e então trabalhar para depois pensar em sua empresa, tenho que admitir que essa á uma das coisas que dizemos aos mais jovens, mas não esperamos que eles escutem. Dizemos isso apenas para poder dizer, depois, que nós avisamos. Então não venha dizer depois que vocês não foram avisados por nós. Notas[1] A idade média do piloto de um B-17 na 2a Guerra Mundial era de 20 e poucos anos. (Obrigado a Tad Marko por indicar isso.) [2] Se uma empresa tentasse remunerar seus empregados dessa forma, seria acusada de injusta. E mesmo assim, quando compram uma empresa mas não uma outra, ninguém pensa em acusá-la de injusta. [3] A taxa de sucesso de 1/10 para startups é quase como uma lenda urbana. É suspeitamente redonda. Meu palpite é que a probabilidade seja um pouco pior.
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